25 de jun. de 2012

Curta-Metragem


Descobri-me com medo de verbos no infinitivo. Essa vastidão infinita me aterroriza, pois desse modo tudo é possível e nada é concreto. Deveria dar um deslumbramento, essa coisa meio loteria, que você pode ir para qualquer lugar a qualquer hora: o infinito infinitivo. 

Confesso que acho que quero o definitivo, e que essa prosa poética não tem rimas que prestam. 

18 de jun. de 2012

Sem título


Amor
desamor
que nada passa
que repassa
sonhos 
jogados na gaveta
da 
co
mo
da

que incomoda
ainda. 

9 de jun. de 2012

Grinch no dia dos namorados.



Descobri-me invejosa de amores alheios. Essa doença que se manifesta com vigor nessa época colorida do ano, aqui não tem passado de uma virose rápida. A última vez das tais borboletas no estômago era um sintoma de intoxicação alimentar. Queria a febre, os calafrios, as borboletas e todo pacote completo, tradicional ou não. 

Particularmente, sou cética pra caralho  em diversos assuntos e tenho me esquivado das flechas tortas e cheias de tétano que o filho da puta do cupido tem me atirado com uma habilidade digna de me fazer integrante do elenco de Matrix. Na última vez que sai, um cara me abordou, perguntando a minha profissão e acertando, pensei: "Esse cara me conhece e está a tirar uma com a minha cara." Continuo conversando com o cidadão, ele é meio estranho, sabe não rolou atração da minha parte e o cinto dele estava mal afivelado, tipo, apontando para frente, felizmente não era para mim. Ele adota uma postura educado-simpática, insiste em me pagar uma cerveja e depois de alguma conversa aceito um refrigerante. Eis que então ele começa a ficar grudento, esquisito, me puxando pela cintura, esquivo me e pergunto: "Qual o seu nome mesmo?" A resposta: "É Ricardo. Para você não esquecer jamais, Ricardão! [coloque aqui uma onomatopeia de sua preferência representando um som parecido com um ronronar]".

Sr. Cupido, é demais querer uma flecha reta, sem esporos