27 de jun de 2011

Viagem


A dor do parto e o partir. É impressionante como essas duas palavras são parecidas de formas diversas. O nascimento, a partida, as mudanças, a vontade de não querer ir, a vontade (ou impossibilidade) de ficar, o choro, a dor do processo e o choque com a nova realidade.

Dizem que toda experiência, mesmo que negativa, serve de crescimento, e assim deve ser, mas como o choro do recém-nascido, as lágrimas rolam e a nova realidade é dura (seria esse o processo de crescer? amadurecer?).

A tristeza parece não ter fim, mas tudo tem um fim. Então logo deve acontecer um novo parto, um novo partir. Será que conseguirei parir felicidade?

21 de jun de 2011

Eu sofro por antecipação, devo precisar de terapia intensiva, mas as vezes eu fico pensando, meio com medo, se tem como morrer de ansiedade, ou se é apenas a curiosidade que mata? Se tem algo a dizer não anuncie, apenas diga. Não gosto de ficar esperando e advinhando. Talvez eu devesse apenas aprender a esperar, pois o carro não anda quando está na frente dos bois. Problema moderno, fruto da natureza imediatista de uma sociedade de consumo?

Não é que eu vá quebrar, apenas me assusto.  Assusto com o que eu não sei que está por vir, o que virá, o que virará. Quero muito fechar essa página e voltar para casa;

20 de jun de 2011


Des-pedaço-me!
Por quê?
Oras, para se ter um começo
tem que se ter um fim.

18 de jun de 2011

Descoberta



Hoje eu fiz uma descoberta muito importante sobre mim. Eu não tenho canais lacrimais. Eu tenho duas torneiras sob os olhos.



Hoje quando eu acordei, encarei por horas a tua fotografia e na boca ficou um gosto amargo de nostalgia. Nem sei ao certo se posso chamar isso de saudade, pois parece que tudo aconteceu em outra vida, outra realidade. De uma comunhão intensa, passamos a uma distância extensa, como? Relacionamentos não são para sempre, apesar do amor ser, mas meu amor por você não é mais o menos, e nunca será o mesmo.

12 de jun de 2011

Grito



 Muitas pessoas tentam, numa nobre missão, fazer com que eu veja a verdade. A verdade eu já vejo, apesar de não aceitar e não acreditar. Não quero ouvir essas pessoas que falam das coisas que eu já sei. Eu sei que a canoa está furada, eu vou afundar junto. Eu sei nadar, e se nao conseguir, eu aprendo, na marra.

Eu quero novidades, quero sentir, porque o vazio já ocupa tantos espaços que sequer deveria ser chamado de vazio. Eu estou cheia de nada. Todos os riscos, todas as possíveis mágoas, são tentativas de me esvaziar do vazio e ter algo diferente, qualquer coisa.

11 de jun de 2011

Fúria

Toda a beleza do sentimento era minha. Toda aquela mistura que inspira músicas e poesias só existia em mim, não em você. Tudo bem, saiba que eu não tenho raiva, nem todos tem isso, nem todos se apaixonam, nem todos amam, muito menos a mim. Minha auto-estima pode não ser tão alta, mas eu sei quem sou, sei o que quero, você sabe quem você é, e acima de tudo: o que você quer?

Como toda a poesia do momento era minha, resolvi tomar posse do que não era só meu.
Te comi. E você sabe disso.

8 de jun de 2011

Meme Literário


Vou responder as perguntas do Meme Literário que a Keila me indicou, do blog Já fui tantas pessoas por aqui e todas se fizeram voz. Não sei a ordem original das perguntas, já que a Keila modificou e vou manter a ordem dela.

Tinhas o hábito de ler quando crianças? 

Assim que aprendi a ler,acho que fui alfabetizada com 7 anos, eu gostava de ler. Lembro-me de revistinhas: Turma da Mônica, Mickey. As histórias do Cachorrinho Samba. Depois a Coleção Vaga-Lume. Pedro Bandeira... Na adolescência virou um hábito tão presente que eu lia em todos os recreios. Para minha sorte, apareceu o alcool na minha vida e assim adquiri algumas habilidades sociais. 

Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Não sou de reler livros... mas releria alguns de Rubem Fonseca, Philp Roth, que conheci recentemente também... a citar alguns é meio injusto e vago, mas foi o que veio na cabeça agora.

Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e nunca conseguiste ler até o fim?

Sim, mas eu não lembro deles. Geralmente quando eu acho chata a narrativa, daquelas que não se desenvolvem eu acabo desistindo. 

Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Eu não consigo escolher. Acho que essa pergunta é injusta, a única coisa razoalvemente constante em mim é o hábito da leitura.... 
Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo nunca leste?
 
Essa resposta muda com o decorrer dos dias, pois quando eu quero algum livro, eu acabo lendo, mesmo que demore até que eu o encontre.

Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
 
 Uma cena??? Essa pergunta é dificil... lembro me de quando criança as horas que passei imaginando como seria a vida do menino do dedo verde e como que ele escolheria a cor da flor que ele plantava, como eu ainda lembro do tempo que me dediquei a esses pensamentos, acho que essa é a melhor pergunta para essa resposta.


Qual o livro que achaste chato e mesmo assim leste até o fim? Por quê?
 
 Não é má vontade em responder, mas não lembro. Devo já estar a me esquecer das coisas, seria problema da idade??

Indica alguns dos teus livros prediletos:

Medo de Voar, Erica Jong, me fez sentir menos culpada de certos anseios femininos ao ver que não estou sozinha a tê-los. Pode "parecer" clichê, mas a Cabana, apesar da religiosidade me ajudou a lidar com os meus mortos de uma maneira muito interessante. Misto Quente, Bukowisk, me diverti muito ao ler.

Que livro estás a ler nesse momento?
 
 Além de livros técnicos da minha área... heheheheh, O Animal Agonizante de Philip Roth e a Clarice, de Benjamin Moser.
 
Pessoas que indico para responder esse Meme:
 
 Marcos, A Hora do Flush
 Minha Morena, Felicidade Clandestina, Penetra Surdamente no Reino das Palavras

4 de jun de 2011

Confissões

A primeira vez que você apareceu na minha vida, você me tirou o chão, a ar, o rebolar, o raciocínio. A história foi se desenvolvendo dentro de todos os clichês românticos possíveis. De repente, você se foi. Doeu demais. Chorei até as lágrimas secarem. Deixei muita gente preocupada. Quando eu contava a história, as pessoas se assustavam, falavam mas não rolou nada além disso? Ainda bem, né. Melhor assim, antes que você ficasse mais envolvida.  Melhor uma pequena amputação que um  membro necrosado, fato.  A parte do não rolou nada além disso me revoltou um bocado. Como se só com sexo as pessoas ficassem envolvidas. Apesar de você ser "loiro do olho azul", eu gostei de você de graça  (existem teorias sobre feromônios e Complexo MHC que talvez expliquem isso) e olha que nem precisou me dar orgasmos múltiplos. 

Acho que o não rolou nada além disso  me incomodou mais do que eu havia previsto. É como se a história não fosse digna dos sentimentos que eu tinha, simplesmente por ser curta e não ter acontecido o sexo. De certa forma, tudo tem um lado positivo, percebi que eu ainda podia sentir, sentir muito e desesperadamente.  Não é uma pedra palpitante que eu tenho no peito, não sou fria. Isso se não atentarem para os detalhes de meus pés e mãos sempre estarem gelados. 

Agora você volta, meio sem querer querendo, e ganha o espaço que já era o seu, mas gato escaldado tem medo de água fria. Assim que descobri o quanto certos comentários tinham me incomodado, no dia seguinte, após ter jogado você na minha cama, com toda lascívia e devassidão que eu não sabia que eu tinha.

Eu ainda não acredito que você vá permanecer, embora eu queira. Ainda não acredito no que você me fala da sua vida, ainda preciso de provas. Já provei você, agora quero provas.

3 de jun de 2011

Murros em pontas de faca


Diz o ditado que a esperança é a última que morre. Com base nisso poderia-se supor que a esperança é algo esperto, safo, como se diz no popular, algo forte, resistente, que sobrevive a quase tudo, pois se é a última que morre em algum momento ela teria que morrer. Acho que a minha esperança não é exatamente algo bom. Acho que é teimosia. Um-não-querer-acreditar em certas coisas, não querer ouvir conselhos, simplesmente acreditar. Ter fé e teimar constantemente parece algo inerente em mim. Por mais que a razão grite, por mais que a razão implore, tem essa parte, essa voz, que parece nunca se calar, que teima em existir em mim. Para o meu grande azar, é parte integrante da minha essência. Teimar. Teimosia quase nunca é algo positivo. Os otimistas podem dizer: "Ah, é que você é persistente em seus ideais". Persistente até o raio me partir na puta que pariu. Tem certas lições dessa vida que eu nunca aprendi. Acho que nem nunca vou aprender.

2 de jun de 2011

Azul

Queria que chegasse logo o dia, de poder mirar no azul do teu olho assim como busco no azul do céu o teu olhar.  Queria logo o dia, que sem subterfúgios teus, as coisas simplesmente acontecessem, como costumava ser. O meu refúgio é feito com os teus braços, meu travesseiro com o teu peito, tua respiração, a minha, a nossa. A cama está vazia e fria, será que você não vê???

1 de jun de 2011

Inventar



Inventar, deve-se admitir humildimente, não consiste em criar algo do nada, e sim do caos; em primeiro lugar, deve-se dispor dos materiais, pode-se dar forma a substância negra e informe, mas não pode-se fazer aparecer a substância. Em tudo que se refere às descobertas e a invenções, mesmo aquelas que pertencem a imaginação, lembramo-nos da história do ovo de Colombo. A invenção consiste na capacidade de julgar um objeto e no poder de modar e arrumar as idéias sugeridas por ele.

Mary Shelley in: Notas da Autora no Livro Frankenstein