9 de mai de 2011

nao aconteceu

Essa é uma história de amor, que não aconteceu, mas aviso, contém inúmeros clichês. Talvez não seja de amor, por não ter acontecido, mas enfim, vamos a história. Foi num forró onde tudo começou. Engraçado começar algo em um forró, porque a palavra forró tem origem no inglês, um aportuguesamento de for all. Uma quase história de amor começar no local de "para todos", além de altamente democrática é quase que um clichê.

Eles se olhavam, de longe. No peito dela, palpitações, na pele suor frio. Nele, nem me atrevo a dizer aonde que palpitava. Ele fez o universal gesto do "quer dançar comigo?" levantando a mão esquerda e posicionando a direita na altura da onde deveria ficar a cintura da moça. Ela topou. Foram para o meio do salão. Ela de saia preta comportadamente na altura do joelho, blusa cinza, cabelos cor-de-trigo (li isso em um livro hoje e achei uma boa descrição para esta cor de cabelo). Ele, cabeça raspada, mãos calejadas, calça jeans e camisa xadrez. Dançaram e dançaram. Não ousavam conversar, talvez fosse o clima de dançar que estivesse bom demais para se estregar com palavras, ou porque já estavam tão ofegantes após 5 músicas sem parar que sequer tentavam conversar. Paravam vez ou outra e tomavam um copo de cerveja. Ele se atreveu a perguntar o nome dela, a saber algo dela. Ela respondeu e fez também as suas perguntas. Logo voltavam a dançar como se tivessem nascido para aquilo.

Ele se controlava para ser cavalheiro, como se ser ousado fosse capaz de estragar o momento, mas ele ofegava, não pelo esforço da dança, mas por imaginar o que existia a mais nela. Ela, feliz, entregue dançava. Como se nada mais existisse.

De rostos colados. Enamorados aconteceu o beijo, meio roubado, meio dado. Assim, como se fosse natural, como se seguissem um roteiro. Ela se sentia levitando, ele se sentia.. bem, isso ae ele muito sentia.

Ela foi embora.
Ele foi embora.

No dia seguinte ele ligou e disse que gostou muito dela. Depois ele nunca mais ligou.



Não é auto biográfico. 
É biografia alheia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário