9 de jul de 2011

Ela se deteve frente ao espelho, como se não soubesse quem era e quisesse descobrir. Averiguou as linhas de expressão no rosto, levemente marcadas. Os olhos miúdos e meio míopes, à aquela distância, eram extremamente ágeis e eficientes. Queria poder ver a alma, e entender o que tem de errado com ela. Por que certas coisas machucam tanto? Estas coisas deveriam ser arrancadas, feito erva daninha em jardim em flor. Esse auto-sadismo-masoquismo, ser refém de si própria, poderia um dia ter consequências extremas. Estava nua. Cabelos molhados. Tinha acabo de sair do banho. Queria poder ter banhado a alma. Continuou olhando o corpo nu, em frente ao espelho grande que tem em seu quarto. Deveria talvez ter percorrido outras trilhas na vida, mas jamais saberia. De resto tinha a vida, o viver, o que era de tão desafiador, assustador.

3 comentários:

  1. Para lavar a alma, basta dançar na chuva. Vambora?

    ResponderExcluir
  2. É verdade, a vida é desafiadora e assustadora.

    ResponderExcluir
  3. Não esqueça de passar os olhos no blog...queria ouvir sua opinião sincera.

    ResponderExcluir